21 de novembro de 2013

Falta das Postagens

Decidi retirar todas as resenhas de livro e filme do blog porque pretendo repostá-las com algumas correções.

Não vou utilizar o corretor editorial do blog, pra que as resenhas fiquem em primeiro plano.


DESCULPEM-ME. ;)

11 de novembro de 2013

Vira-Tempo



Dita cuja, de olhos cor-de-gris 
Rabiscamos um esboço
 Teu nariz feito de giz 
Traçamos linhas retorcidas 
E por cores escondidas 
Encontramos teu sorriso
 Esbanjando sabor
 Desenhamos tua voz 
Sem cor 
Sem atroz 
Traduzi teu olhar 
E idioma mais bonito jamais se ouviu falar 
Pincelamos tuas penas, apenas 
Pontilhamos nossa sina 
Rimos nossas rimas
 Colorindo as cenas
 Duas, três, dezenas!
 Centenas!
 Faz-de-conta mas não conta 
Que de afagos e gracejos é feita nossa dança 
Surpreenda-se mas não prenda-se 
A liberdades mal-ditas 
A invenções revestidas 
As nossas noites mal-dormidas... 
Reescrevemos as regras
 Medimos as tréguas 
Ditamos as léguas 
Por ruas desertas 
Encontrei-a na esquina do acaso 
Com a rua 16
 E dali canção se fez... 
Para brandar nossa alegria 
Rabiscamos estrelas 
Para pousar nosso pesar 
Sentamos sobre as mesas 
Ciframos os risos 
Pintamos os rios 
Ficamos perdidos
 Numa rua qualquer 
Dormimos sentados 
Deitados de lado 
E num minuto passado
 Se fez mulher
 Nas manhãs de verão era lua 
Nas de inverno, sol 
Por tantas outras, meu amado rouxinol. 


O autor é Ricardo Santos, mas de tão bonita que essa poesia ficou nem queria dar os créditos.

26 de junho de 2013

Sem título, tá tarde

Exceto pelas vezes que durmo ouvindo sua voz, todos os dias deito a cabeça no meu travesseiro e olho para o teto em busca de rachaduras, são nelas que eu encontro escrito o meu futuro. Elas me dizem onde estarei daqui a cinco anos e me dizem que vale a pena esperar. São elas que, no silêncio das manhãs frias, me dizem "vai com calma e aproveita que isso vai melhorar". É nelas que eu encontro consolo pra cada pequena coisa que possa a vir me irritar e, por mais úteis que tais rachaduras possam ser, é você que me acalma (mas só quando quer), é você o capaz por deixar meu dia mais colorido e é você o motivo que toda e qualquer confusão diária da minha vida. 
Infelizmente, tenho que colocar essa culpa em você e fazer pesar, porque pesa em mim também e é extremamente pesado pra se carregar sozinha, não só pra mim, mas pra qualquer outra pessoa. E aí, te escolhi. Escolhi alguém pra me ajudar a carregar o peso da minha vida e, num instinto materno, ajudei a carregar o peso da sua também. E sou grata. Grata a cada dia que você me fez sorrir e grata por você ter me ajudado a descobrir maravilhosas rachaduras no meu teto e maravilhosos consertos no meu futuro. A parte boa e a parte ruim, os melhores e piores momentos são apenas uma reação em cadeia do que eu, há nove meses atrás, escolhi pra minha vida. 

11 de junho de 2013

Life



Ah, a vida! Aquela que você cultivou com tanto carinho durantes anos quase que inacabáveis da sua felicidade.A vida não é nada mais que a explosão ocasional de risos sobre uma interminável lamento de dor, explosão de risos que faz-lhe doer a barriga, que faz-lhe cair no chão e rir descontroladamente como se ninguém estivesse te observando. É esta uma linha tênue entre o amor e o destino, aquilo que passa antes de você perceber que tudo estava predestinado, predestino a apreenssão terrível e duradoura do medo de perder aquilo tudo que você já amou. A vida... vida aquela que dói quando passa, quando começa e quando acaba, uma dor interminável e insuportável, uma tatuagem chamada descuido na pele da tua organização. 
Vida! Uma infame derrota da morte, um descaso qualquer que lhe rodear-se de questões petulantes e bajuladoras... Um anti-herói chamado sarcamo, um anti-herói grande e musculoso com roupas de inverno de cor escura e uma voz agressiva e ironica que te derrota facilmente. A dor da derrota, isso é vida. 

Life is a hideous grin in the midst of a forced march to hell. 


16 de março de 2013

Can't you stay here forever?

Dorme do meu lado essa noite. Esquece a roupa no varal e a panela no fogo, nada mais importa nesse momento. Aquieta-te e sinta-se a vontade pra estar onde você quiser estar: comigo. Não apoie a cabeça na sua mão tão grande e viril como se o dia não fosse de grande valia, não deite de bruços sem deixar-me um espaço. Apenas esteja. Apenas deixe estar. Poderás tingir o meu lençol com as multicores que sempre espero encontrar na sua presença, quando você se for vai ser cinza novamente assim como o céu quando não estás por perto. E durma, durma que irei fazer pra ti ovos mexidos com bacon no café da manhã. Desperta do teu sono, que dormiste por três horas. Envolve-me no teu braço, preencha-me com a sua urgência, enrosca suas pernas na minha e depois... Bem, depois você já voltar aos sonhos totalmente pretos que você estava tendo. Deixe-me aconchegar no teu peito enquanto brinco com os pêlos da sua barriga. Por que não podes ficar aqui pra sempre?

solitária&cativada&impaciente

Começa de uma forma simples: o seu abraço apertado de boas vindas e se eu tivesse consciência de que meu coração ainda batia, ele teria parado nesse exato momento. O calor do seu peito másculo e seu sorriso pendendo pro lado esquerdo mostrando sua introspecção, seus dedos compridos e finos nos meus ombros quase que formando asas e a dor do medo de que o momento acabe. Deitada nos teus braços sempre me esqueço de tempo e espaço e equações se tornam fáceis de resolver, fórmula de Bháskara é útil novamente. E seu abraço cada vez mais folgado, seus dedos vão se desprendendo um a um dos meus ombros encolhidos, meu rosto já não tem um apoio aconchegante. Tenho medo de abrir os olhos e quando finalmente tomo coragem... você já foi. E estou sozinha novamente. Solitária, cativada, impaciente. A porta desaparece e eu só penso em uma coisa: "Estou trancada do lado de fora do paraíso". 

Fugindo da dor da solidão

Eu penso tanto em desistir de você, mas sei que tudo vai permanecer igual. Eu penso tanto em te falar que você deixou bagunça quando foi embora, mas sei que você nem irá arrumar a lâmpada do abajur que ficou quebrada. E já lhe aviso antecipadamente: roubaram meu orgulho, roubaram minha urgência, roubaram até a minha vontade. Desse dia regado pela lei de Murphy o que me resta é a memória dos bons dias que nós passamos juntos testando pilhas velhas na câmera de fotografia e caramelando ideias em mentes vazias. Acho que levaram até minha identidade e meu coração, mas eu nem me importaria se isso fosse mesmo uma lobotomia. É desse jeito que você se vai e deixa desordem no alto da minha mente fraca e iludida, nem penso mais sobre eu mesmo e não me reconheço mais. Onde você vai chegar andando rápido desse jeito na direção contrária a minha carregando uma adaga dentro de um lindo tecido de veludo vermelho? Eu nem sei mais se você vai se esconder. 

13 de março de 2013

Arroz e Flores

Um velho amigo me disse que só são necessárias duas coisas pra viver: Arroz e flores. Arroz para manter-se vivo e flores para ter algo pelo o que viver, uma razão. É claro que a frase era totalmente metafórica, mas mesmo sendo metafórica, nunca a levei como ensinamento, parei pra refletir, nunca, sequer, dei a mínima importância.
 Não fazia nenhum sentido até setembro de 2012, metáforas idiotas e músicas do Bon Jovi. E, de repente, num baque tão forte que meus peitos saíram pelas costas, eu percebo que toda música bonitinha me lembra você, Bon Jovi não é mais tão chato e todas as metáforas sobre o amor (ah, o amor!) fazem sentido até quando contadas de forma invertida. Pequenas frases bobas ditas aleatoriamente em filmes de romance e detalhes do osso do ofício diário que partilhamos... Antes tão imbecis e agora tão natural. Eu me pergunto se isso pode durar a vida toda, por alguns anos incontáveis e intermináveis de um quase-para-sempre.
Mais do que claramente, você é meu arroz. Você é todas as flores.

25 de fevereiro de 2013

Proclamação na mesa de bar

Eu te convido pra entrar no recinto bonito que visitamos aquele dia juntos no final da noite. O neon cintila indicando em vermelho o bar ao lado do palco escuro e vazio, as luzes esverdeadas do bar não me deixam enxergar seus olhos mas eu sei que a cor âmbar continua lá e seu cabelo de molinhas fica mais luminoso a cada nova visita do bartender ao balcão. Dói saber que você nem viu a bagunça que você deixou no bar colorido. Os copos quebrados no chão e estilhaços da taça no balcão, o barman com uma gravata assim um pouco torta e a camisa amarratoda, bebidas já no fim e um copo de whiskey meio vazio e sem gelo. Ameno, mas mesmo assim já tão quente e você perto, cada dia mais perto e cada dia mais longe, deixando o teu calor no barzinho meia-boca. Espalhando seu suor em mim e deixando uma dor no estômago, deviam ser borboletas. E meu ouvido já derretendo de saudades da sua voz suave e suas palavras confortantes. Você me segue em cada novo passo que dê, em cada nova brincadeira inventada e jogos de tabuleiro velhos não são suficientes pra lembrar de toda uma monotonia. Em cada história limpa que eu tente escrever você vai ter uma página só sua pra poder valer a pena o grande final e vai sentar-se sozinho sobre o tapete de panda apreciando a leitura e sabendo que era sobre você, só sobre você. Então eu poderia te chamar de sombra pra que você estivesse efetivamente fazendo parte da minha vida, mas o presente que me condena e não deixa você participar. A dor que outrora havia deixado no passado me incomoda e eu sei que ela vai voltar. Em cada momento ruim eu vou pensar em você e te contar sobre essas besteiras no ano que vem, próximo do seu aniversário. No final da noite você vai concordar que sou mais chata que Joy Division e tudo volta a rotina novamente. Mais do que copos desarrumados e taças quebradas, vai doer quando você se for.  

Continuo bebendo saudades

Já perdi a conta de quantas doses de saudade eu bebi por você. E estou bebendo novamente saudade com duas pedras de gelo, saudade com azeitona e até saudade quente estou bebendo pra tentar te esquecer. A cereja do martini da saudade já comi há tempos e ainda assim há várias saudades pra beber. E o dia-a-dia de um ninguém vai se transformando na rotina de "sinto sua falta", qualquer palavra bonitinha serve de motivo pra guardar e os bons momentos que se foram podem me fazer mais feliz que qualquer presente incerto e não vale a pena esquecer. Debaixo da chuva vou bebendo saudade, saudade que antes não havia pra beber - no passado ensolarado - , saudade que amanhã não vou querer saber - num arco-íris futuro -. Saudade que não cabe onde quer que eu esconda, em caixinhas de presente, em garrafas de cerveja ou sacolas grandes de lixo. Saudade que dói antes de adormecer e esfarela no travesseiro. Saudade que espera mais saudade acumular, e vai acumulando saudades, abraços, carinhos, planos e beijos pra que matar a saudade seja tão bom quanto você é. 

3 de fevereiro de 2013

Desconexo

É assim que o mundo acaba. Não com uma explosão, mas sim como um suspiro. Pronfundo e preocupado, nada aliviado. Consegue entender? A maioria das pessoas não podem tocar suas mãos porquê você não parece estar viva, as que conseguem tocar sua pele acham fria demais pra que isso possa provar a sua existência. Consegue sentir? Não há conexão entre você e este mundo real de faz-de-conta e brincadeiras com as quais eu não te aconselho mexer. Sua cor é um mesclado de azul com preto e, na prenumbra, não posso diferenciar tais cores. Não camuflado, apenas visívelmente colorida. Cores sóbrias e inexistentes, como a mente que você diz ser sua, como o corpo que você supostamente herdou de alguém cujo rosto não me lembro. Há uma falha no ecossistema desse planeta. As cores estão mudando, as formas geométricas estão trocadas, e eu estou me desintegrando como num cartoon qualquer no qual o protagonista transforma o vilão em poeira levada pelo vento.


E eu ainda me pergunto, todos os dias de manhã, o motivo dessa lembrança.

Bote pra fora aquilo que te deixa mal...

          
Mas eu não consigo. Eu não consigo, pois não sei o que é essa dorzinha chata que me machuca mais a cada minuto. Não dá pra me distrair, não dá pra não chorar... Por favor, faça passar, faça passa. Deixe-me dormir e só acordar quando ele estiver por perto. Por favor, deixe que as coisas se resolvam sem o mínimo de esforço. Eu não estou acostumada a toda essa batalha, não sou o tipo de pessoa dramática que vai lhe dizer o quanto sofreu, eu não sou assim! Eu não quero desistir, eu quero ser eu mesma num mundo novo, mas parece que tudo o que os outros me dizem pra fazer não condizem com a minha mentalidade complicada de sete anos. Sete anos! Eu queria tanto voltar a ter sete anos... Queria ter nascido em 2005, e então eu seria criança novamente num mundo perfeito.

Você é só um pedacinho do oceano

Você é só um pequeno pedaço do oceano. Só uma proporção de 5x5 SQM. Você é aquele pedaço do oceno bem na beira da praia, onde todos vão e todos se divertem. É o limite para as crianças e a parte divertida para os adultos. É onde as nuvens não passam e o sol bate direto. A parte onde eu gosto de ficar para nadar e a parte onde ainda me sinto segura, pois meus pés tocam o chão. Você é aquela parte difícil de entrar, gelada e intimidadora. Mas, depois de um mergulho profundo e rápido, você é aquela água quentinha e confortante que não dá a mínima vontade de deixar.
E quando já é quase noite e sua mãe vem lhe chamar pra deixar a praia você se sente tão... vazia. Estava tão acostumada com o calor da água e queria ficar ali pra sempre, apesar dos dedos enrugados e da noite fria repleta de ventania que se seguia. Relutante, você cambaleia pra fora da água e vê o vento deixando as ondas mais altas e engruvinhando a superfície da água tal como um repolho. O oceano chora a sua partida e, com os pés afundados na areia, você deixa a praia. Seu biquini está torto, seu cabelo embaraçado, você está com frio e seus dedos continuarão enrugados por muito tempo: são apenas marcas de um pequeno pedacinho do oceno.

Quem? Eu?

Minha foto
Catarinense e carioca ao mesmo tempo. Apaixonada por cinema. Apaixonada por música. Apaixonada por cheiro de livros, novos e velhos. Professora de produção textual por amor, bibliotecária por profissão, ex-estudante de História, estudante de fonoaudiologia (simplesmente porque gosto dos cadáveres) e sem noção nenhuma sobre a vida.