11 de novembro de 2013

Vira-Tempo



Dita cuja, de olhos cor-de-gris 
Rabiscamos um esboço
 Teu nariz feito de giz 
Traçamos linhas retorcidas 
E por cores escondidas 
Encontramos teu sorriso
 Esbanjando sabor
 Desenhamos tua voz 
Sem cor 
Sem atroz 
Traduzi teu olhar 
E idioma mais bonito jamais se ouviu falar 
Pincelamos tuas penas, apenas 
Pontilhamos nossa sina 
Rimos nossas rimas
 Colorindo as cenas
 Duas, três, dezenas!
 Centenas!
 Faz-de-conta mas não conta 
Que de afagos e gracejos é feita nossa dança 
Surpreenda-se mas não prenda-se 
A liberdades mal-ditas 
A invenções revestidas 
As nossas noites mal-dormidas... 
Reescrevemos as regras
 Medimos as tréguas 
Ditamos as léguas 
Por ruas desertas 
Encontrei-a na esquina do acaso 
Com a rua 16
 E dali canção se fez... 
Para brandar nossa alegria 
Rabiscamos estrelas 
Para pousar nosso pesar 
Sentamos sobre as mesas 
Ciframos os risos 
Pintamos os rios 
Ficamos perdidos
 Numa rua qualquer 
Dormimos sentados 
Deitados de lado 
E num minuto passado
 Se fez mulher
 Nas manhãs de verão era lua 
Nas de inverno, sol 
Por tantas outras, meu amado rouxinol. 


O autor é Ricardo Santos, mas de tão bonita que essa poesia ficou nem queria dar os créditos.

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Quem? Eu?

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Catarinense e carioca ao mesmo tempo. Apaixonada por cinema. Apaixonada por música. Apaixonada por cheiro de livros, novos e velhos. Professora de produção textual por amor, bibliotecária por profissão, ex-estudante de História, estudante de fonoaudiologia (simplesmente porque gosto dos cadáveres) e sem noção nenhuma sobre a vida.