Eu te convido pra entrar no recinto bonito que visitamos aquele dia juntos no final da noite. O neon cintila indicando em vermelho o bar ao lado do palco escuro e vazio, as luzes esverdeadas do bar não me deixam enxergar seus olhos mas eu sei que a cor âmbar continua lá e seu cabelo de molinhas fica mais luminoso a cada nova visita do bartender ao balcão. Dói saber que você nem viu a bagunça que você deixou no bar colorido. Os copos quebrados no chão e estilhaços da taça no balcão, o barman com uma gravata assim um pouco torta e a camisa amarratoda, bebidas já no fim e um copo de whiskey meio vazio e sem gelo. Ameno, mas mesmo assim já tão quente e você perto, cada dia mais perto e cada dia mais longe, deixando o teu calor no barzinho meia-boca. Espalhando seu suor em mim e deixando uma dor no estômago, deviam ser borboletas. E meu ouvido já derretendo de saudades da sua voz suave e suas palavras confortantes. Você me segue em cada novo passo que dê, em cada nova brincadeira inventada e jogos de tabuleiro velhos não são suficientes pra lembrar de toda uma monotonia. Em cada história limpa que eu tente escrever você vai ter uma página só sua pra poder valer a pena o grande final e vai sentar-se sozinho sobre o tapete de panda apreciando a leitura e sabendo que era sobre você, só sobre você. Então eu poderia te chamar de sombra pra que você estivesse efetivamente fazendo parte da minha vida, mas o presente que me condena e não deixa você participar. A dor que outrora havia deixado no passado me incomoda e eu sei que ela vai voltar. Em cada momento ruim eu vou pensar em você e te contar sobre essas besteiras no ano que vem, próximo do seu aniversário. No final da noite você vai concordar que sou mais chata que Joy Division e tudo volta a rotina novamente. Mais do que copos desarrumados e taças quebradas, vai doer quando você se for.
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