25 de fevereiro de 2013

Proclamação na mesa de bar

Eu te convido pra entrar no recinto bonito que visitamos aquele dia juntos no final da noite. O neon cintila indicando em vermelho o bar ao lado do palco escuro e vazio, as luzes esverdeadas do bar não me deixam enxergar seus olhos mas eu sei que a cor âmbar continua lá e seu cabelo de molinhas fica mais luminoso a cada nova visita do bartender ao balcão. Dói saber que você nem viu a bagunça que você deixou no bar colorido. Os copos quebrados no chão e estilhaços da taça no balcão, o barman com uma gravata assim um pouco torta e a camisa amarratoda, bebidas já no fim e um copo de whiskey meio vazio e sem gelo. Ameno, mas mesmo assim já tão quente e você perto, cada dia mais perto e cada dia mais longe, deixando o teu calor no barzinho meia-boca. Espalhando seu suor em mim e deixando uma dor no estômago, deviam ser borboletas. E meu ouvido já derretendo de saudades da sua voz suave e suas palavras confortantes. Você me segue em cada novo passo que dê, em cada nova brincadeira inventada e jogos de tabuleiro velhos não são suficientes pra lembrar de toda uma monotonia. Em cada história limpa que eu tente escrever você vai ter uma página só sua pra poder valer a pena o grande final e vai sentar-se sozinho sobre o tapete de panda apreciando a leitura e sabendo que era sobre você, só sobre você. Então eu poderia te chamar de sombra pra que você estivesse efetivamente fazendo parte da minha vida, mas o presente que me condena e não deixa você participar. A dor que outrora havia deixado no passado me incomoda e eu sei que ela vai voltar. Em cada momento ruim eu vou pensar em você e te contar sobre essas besteiras no ano que vem, próximo do seu aniversário. No final da noite você vai concordar que sou mais chata que Joy Division e tudo volta a rotina novamente. Mais do que copos desarrumados e taças quebradas, vai doer quando você se for.  

Continuo bebendo saudades

Já perdi a conta de quantas doses de saudade eu bebi por você. E estou bebendo novamente saudade com duas pedras de gelo, saudade com azeitona e até saudade quente estou bebendo pra tentar te esquecer. A cereja do martini da saudade já comi há tempos e ainda assim há várias saudades pra beber. E o dia-a-dia de um ninguém vai se transformando na rotina de "sinto sua falta", qualquer palavra bonitinha serve de motivo pra guardar e os bons momentos que se foram podem me fazer mais feliz que qualquer presente incerto e não vale a pena esquecer. Debaixo da chuva vou bebendo saudade, saudade que antes não havia pra beber - no passado ensolarado - , saudade que amanhã não vou querer saber - num arco-íris futuro -. Saudade que não cabe onde quer que eu esconda, em caixinhas de presente, em garrafas de cerveja ou sacolas grandes de lixo. Saudade que dói antes de adormecer e esfarela no travesseiro. Saudade que espera mais saudade acumular, e vai acumulando saudades, abraços, carinhos, planos e beijos pra que matar a saudade seja tão bom quanto você é. 

3 de fevereiro de 2013

Desconexo

É assim que o mundo acaba. Não com uma explosão, mas sim como um suspiro. Pronfundo e preocupado, nada aliviado. Consegue entender? A maioria das pessoas não podem tocar suas mãos porquê você não parece estar viva, as que conseguem tocar sua pele acham fria demais pra que isso possa provar a sua existência. Consegue sentir? Não há conexão entre você e este mundo real de faz-de-conta e brincadeiras com as quais eu não te aconselho mexer. Sua cor é um mesclado de azul com preto e, na prenumbra, não posso diferenciar tais cores. Não camuflado, apenas visívelmente colorida. Cores sóbrias e inexistentes, como a mente que você diz ser sua, como o corpo que você supostamente herdou de alguém cujo rosto não me lembro. Há uma falha no ecossistema desse planeta. As cores estão mudando, as formas geométricas estão trocadas, e eu estou me desintegrando como num cartoon qualquer no qual o protagonista transforma o vilão em poeira levada pelo vento.


E eu ainda me pergunto, todos os dias de manhã, o motivo dessa lembrança.

Bote pra fora aquilo que te deixa mal...

          
Mas eu não consigo. Eu não consigo, pois não sei o que é essa dorzinha chata que me machuca mais a cada minuto. Não dá pra me distrair, não dá pra não chorar... Por favor, faça passar, faça passa. Deixe-me dormir e só acordar quando ele estiver por perto. Por favor, deixe que as coisas se resolvam sem o mínimo de esforço. Eu não estou acostumada a toda essa batalha, não sou o tipo de pessoa dramática que vai lhe dizer o quanto sofreu, eu não sou assim! Eu não quero desistir, eu quero ser eu mesma num mundo novo, mas parece que tudo o que os outros me dizem pra fazer não condizem com a minha mentalidade complicada de sete anos. Sete anos! Eu queria tanto voltar a ter sete anos... Queria ter nascido em 2005, e então eu seria criança novamente num mundo perfeito.

Você é só um pedacinho do oceano

Você é só um pequeno pedaço do oceano. Só uma proporção de 5x5 SQM. Você é aquele pedaço do oceno bem na beira da praia, onde todos vão e todos se divertem. É o limite para as crianças e a parte divertida para os adultos. É onde as nuvens não passam e o sol bate direto. A parte onde eu gosto de ficar para nadar e a parte onde ainda me sinto segura, pois meus pés tocam o chão. Você é aquela parte difícil de entrar, gelada e intimidadora. Mas, depois de um mergulho profundo e rápido, você é aquela água quentinha e confortante que não dá a mínima vontade de deixar.
E quando já é quase noite e sua mãe vem lhe chamar pra deixar a praia você se sente tão... vazia. Estava tão acostumada com o calor da água e queria ficar ali pra sempre, apesar dos dedos enrugados e da noite fria repleta de ventania que se seguia. Relutante, você cambaleia pra fora da água e vê o vento deixando as ondas mais altas e engruvinhando a superfície da água tal como um repolho. O oceano chora a sua partida e, com os pés afundados na areia, você deixa a praia. Seu biquini está torto, seu cabelo embaraçado, você está com frio e seus dedos continuarão enrugados por muito tempo: são apenas marcas de um pequeno pedacinho do oceno.

Quem? Eu?

Minha foto
Catarinense e carioca ao mesmo tempo. Apaixonada por cinema. Apaixonada por música. Apaixonada por cheiro de livros, novos e velhos. Professora de produção textual por amor, bibliotecária por profissão, ex-estudante de História, estudante de fonoaudiologia (simplesmente porque gosto dos cadáveres) e sem noção nenhuma sobre a vida.