16 de março de 2013
Can't you stay here forever?
Dorme do meu lado essa noite. Esquece a roupa no varal e a panela no fogo, nada mais importa nesse momento. Aquieta-te e sinta-se a vontade pra estar onde você quiser estar: comigo. Não apoie a cabeça na sua mão tão grande e viril como se o dia não fosse de grande valia, não deite de bruços sem deixar-me um espaço. Apenas esteja. Apenas deixe estar. Poderás tingir o meu lençol com as multicores que sempre espero encontrar na sua presença, quando você se for vai ser cinza novamente assim como o céu quando não estás por perto. E durma, durma que irei fazer pra ti ovos mexidos com bacon no café da manhã. Desperta do teu sono, que dormiste por três horas. Envolve-me no teu braço, preencha-me com a sua urgência, enrosca suas pernas na minha e depois... Bem, depois você já voltar aos sonhos totalmente pretos que você estava tendo. Deixe-me aconchegar no teu peito enquanto brinco com os pêlos da sua barriga. Por que não podes ficar aqui pra sempre?
solitária&cativada&impaciente
Começa de uma forma simples: o seu abraço apertado de boas vindas e se eu tivesse consciência de que meu coração ainda batia, ele teria parado nesse exato momento. O calor do seu peito másculo e seu sorriso pendendo pro lado esquerdo mostrando sua introspecção, seus dedos compridos e finos nos meus ombros quase que formando asas e a dor do medo de que o momento acabe. Deitada nos teus braços sempre me esqueço de tempo e espaço e equações se tornam fáceis de resolver, fórmula de Bháskara é útil novamente. E seu abraço cada vez mais folgado, seus dedos vão se desprendendo um a um dos meus ombros encolhidos, meu rosto já não tem um apoio aconchegante. Tenho medo de abrir os olhos e quando finalmente tomo coragem... você já foi. E estou sozinha novamente. Solitária, cativada, impaciente. A porta desaparece e eu só penso em uma coisa: "Estou trancada do lado de fora do paraíso".
Fugindo da dor da solidão
Eu penso tanto em desistir de você, mas sei que tudo vai permanecer igual. Eu penso tanto em te falar que você deixou bagunça quando foi embora, mas sei que você nem irá arrumar a lâmpada do abajur que ficou quebrada. E já lhe aviso antecipadamente: roubaram meu orgulho, roubaram minha urgência, roubaram até a minha vontade. Desse dia regado pela lei de Murphy o que me resta é a memória dos bons dias que nós passamos juntos testando pilhas velhas na câmera de fotografia e caramelando ideias em mentes vazias. Acho que levaram até minha identidade e meu coração, mas eu nem me importaria se isso fosse mesmo uma lobotomia. É desse jeito que você se vai e deixa desordem no alto da minha mente fraca e iludida, nem penso mais sobre eu mesmo e não me reconheço mais. Onde você vai chegar andando rápido desse jeito na direção contrária a minha carregando uma adaga dentro de um lindo tecido de veludo vermelho? Eu nem sei mais se você vai se esconder.
13 de março de 2013
Arroz e Flores
Um velho amigo me disse que só são necessárias duas coisas pra viver: Arroz e flores. Arroz para manter-se vivo e flores para ter algo pelo o que viver, uma razão. É claro que a frase era totalmente metafórica, mas mesmo sendo metafórica, nunca a levei como ensinamento, parei pra refletir, nunca, sequer, dei a mínima importância.
Não fazia nenhum sentido até setembro de 2012, metáforas idiotas e músicas do Bon Jovi. E, de repente, num baque tão forte que meus peitos saíram pelas costas, eu percebo que toda música bonitinha me lembra você, Bon Jovi não é mais tão chato e todas as metáforas sobre o amor (ah, o amor!) fazem sentido até quando contadas de forma invertida. Pequenas frases bobas ditas aleatoriamente em filmes de romance e detalhes do osso do ofício diário que partilhamos... Antes tão imbecis e agora tão natural. Eu me pergunto se isso pode durar a vida toda, por alguns anos incontáveis e intermináveis de um quase-para-sempre.
Mais do que claramente, você é meu arroz. Você é todas as flores.
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Quem? Eu?
- Marina
- Catarinense e carioca ao mesmo tempo. Apaixonada por cinema. Apaixonada por música. Apaixonada por cheiro de livros, novos e velhos. Professora de produção textual por amor, bibliotecária por profissão, ex-estudante de História, estudante de fonoaudiologia (simplesmente porque gosto dos cadáveres) e sem noção nenhuma sobre a vida.