Bom dia, senhor! Onde estão aquelas luvas aveludadas e vermelhas que tanto lhes fizeram bem? Onde estão aqueles caixotes velhos de madeira que transformavam sua casa colorida num mar nebuloso e granulado marrom-envelhecido de fotografias vintage quase-casa-na-árvore? Eu sou um nada que cresce no deserto como um cacto que permanece intacto por anos mesmo sem água. Eu sou seu brilho ao ver o algodão doce que fora exposto em frente ao seu rosto com cheirinho de açucar e clima de inverno. Eu sou seu ferimento que sempre sangra, nunca estanca, independe de dor. Eu sou o chapéu que voa com o vento infeliz que vem do sul e cruza ruas procurando alguém que o segure. Bom dia, senhor! Dê-me sua mão e voe comigo pr'aquele lugar onde as pessoas podem ser qualquer coisa com cheirinho de morango-artificial.
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