3 de maio de 2012

A menina de ideias azuis e seu joelho

Seus olhos pareciam duas resinas minúsculas de âmbar, tão claros como o mel. Pequenininhos e lacrimejantes, e seus óculos não conseguiam esconder a profunda solidão contida naqueles olhos tão caramelados. - Eu não quero crescer. - Ela vinha repetindo essa frase há tempos, como se não soubesse nada sobre seu próprio futuro e também não quisesse saber. Outrora, achava que o futuro poderia ser ótimo, que as coisas poderiam melhorar mais e mais a cada dia, mas não. O gesto foi lento demais, demorou muito para tirar seus óculos já tão embaçados com as suas lágrimas e colocá-lo ao seu lado. Dobrou os joelhos contra o próprio peito, e abraçou com tamanha força que ela desconheci ter. E então permaneceu ali, abraçando o joelho e choramingando baixinho, deixando que sua lágrima caísse de suas bochechas ao seu joelho, como se este fosse seu único amigo. Ela sabia que não estava sozinha no mundo, que tinha pessoas que gostavam muito dela, mas a garota de ideias azuis decidiu que, desta vez, precisava chorar sozinha, ou ao menos com seu joelho.

[Página 53. - A menina de ideias azuis.]

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Catarinense e carioca ao mesmo tempo. Apaixonada por cinema. Apaixonada por música. Apaixonada por cheiro de livros, novos e velhos. Professora de produção textual por amor, bibliotecária por profissão, ex-estudante de História, estudante de fonoaudiologia (simplesmente porque gosto dos cadáveres) e sem noção nenhuma sobre a vida.